domingo, 2 de março de 2008

Ciranda do Esquecimento






Quando chegar o tempo da minha morte,

o me lamente.

o me deseje sossego.

Por favor, não diga:

– Que descanse em paz.



o estarei dormindo na rede,

mas estirado em uma cova!

o inerte... Inexistente.

Um cadáver contumaz.



o me vele, não me evoque,

o me cite em preces.

o peça por minha alma.

o chore por ter saudade,

e num lapso de caridade

esqueça-me, docemente.

o se exceda, tenha calma.

Eu já não existirei.



Quando eu me for sem ter volta

cante uma antiga cantiga de roda:

diga um verso bem bonito

diga adeus e vá embora".


Laurene Veras
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Como era de se esperar, sim, eu escrevo. Em Porto Alegre você sacode uma árvore e de 10 pessoas 4 são jornalistas, 4 são publicitários e as outras duas são de qualquer outra área. Deste total, pelo menos nove escrevem. E cá estou eu no fluxo da boiada...De qualquer modo, por essas e por outras gosto muito daqui. Este poema foi publicado da edição especial de poesia do Jornal Vaia.
O quadro se chama "Garota em frente ao espelho", de Pablo Picasso.

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