domingo, 2 de março de 2008

Pirulin lulin lulin

Em cima do meu telhado
Pirulin lulin lulin
Um anjo todo molhado
Soluça no seu flautim

E chove sem saber por que
E tudo foi sempre assim
Parece que vou sofrer
Pirulin lulin lulin
........................................................

Este é um dos meus poemas favoritos do Mário Quintana.
Este é um espaço de poesia, dentre outras coisas, e uma coisa sobre a qual eu sempre quis escrever é sobre o fato de eu não considerar o MQ um "poetinha", que escreve "versinhos", poesia leve, fácil, ingênua. Quintana fazia uma poesia boneca russa, uma poesia que se desdobra, mas não facilmente, não na obviedade, há que se ler Quintana atentamente, por trás do poema inofensivo um animal ferido e magoado, prestes a se tornar violento, às vésperas de marcar o leitor com profundidade e melancolia, e a cicatriz é bela. A análise do poema eu deixo para os acadêmicos, posso voltar a falar nele, mas isso num próximo post.

Nenhum comentário: