quarta-feira, 16 de abril de 2008

Antero

O Que Diz a Morte

Deixai-os vir a mim, os que lidaram;

Deixai-os vir a mim, os que padecem;

E os que cheios de mágoa e tédio encaram

As próprias obras vãs, de que escarnecem...



Em mim, os Sofrimentos que não saram,

Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.

As torrentes da Dor, que nunca param,

Como num mar, em mim desaparecem. -



Assim a Morte diz. Verbo velado,

Silencioso intérprete sagrado

Das cousas invisíveis, muda e fria,



É, na sua mudez, mais retumbante

Que o clamoroso mar; mais rutilante,

Na sua noite, do que a luz do dia.

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Retrato por Columbano Bordalo Pinheiro

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Retomando o mote inaugurado no blog com Ciranda do Esquecimento, eis um exemplar do querido e melancólico Antero. Continuo devendo o Aretino.

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