segunda-feira, 7 de abril de 2008

As Garças

Da boca de concreto se debruça a água negra no leito onde jaz.
Canto um lamento pelas garças nas beiradas dos rios mortos.
Brancas, leves, frágeis, entre a imundície que não lhes pertence.
Corre o que outrora foi rio e algum dia um olhar despreocupado.

-Dó das garças? Por que não lamentas pelas gentes?

Não percebe?
Não vês que as garças são as gentes?

E o rio, o rio é o mundo...
Um triste rio moribundo.


Laurene Veras
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Próximos posts: Truffaut, O Cheiro do Ralo, Frank Miller.

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