quarta-feira, 9 de abril de 2008

da Clepsidra




Imagens que passais pela retina

Dos meus olhos, porque não vos fixais?

Que passais como a água cristalina

Por uma fonte para nunca mais!...


Ou para o lago escuro onde termina

Vosso curso, silente de juncais,

E o vago medo angustioso domina,

Porque ides sem mim, não me levais?


Sem vós o que são os meus olhos abertos?

O espelho inútil, meus olhos pagãos!

Aridez de sucessivos desertos...


Fica sequer, sombra das minhas mãos,

Flexão casual de meus dedos incertos,

Estranha sombra em movimentos vãos.


Camilo Pessanha

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