segunda-feira, 14 de abril de 2008

Esta noite jantaremos no inferno



Conhecendo a história da Batalha das Termópilas, sabendo que Esparta foi uma cidade-estado de guerreiros quase santos e tendo noção de que o cara que registrou o fato chamava-se Heródoto, quem é que, ainda não contaminado por esse mosaico de maravilhas e sandices chamado “cultura pop”, poderia botar fé em uma versão para quadrinhos do incrível feito dos 300 de Esparta?

O processo de despojamento do preconceito deve começar pelo nome do cara: Frank Miller. Um grande autor e desenhista de histórias em quadrinhos, talentoso e inteligente, fez pesquisa sobre o tema, não é uma história requentada à moda miguelão. O filme, por sua vez, tenta reproduzir, aí no território da linguagem cinematográfica, a graphic novel. Agora pensa comigo, uma história antiga, recontada e estudada através dos séculos, desenhada por um artista da pós-modernidade e transferida para o cinema com, inclusive, toneladas de tintas digitais e muito, mas muuuuuuuuito sangue! Só pode ser uma droga, certo? Muito errado. O filme, é óbvio mas serei ululante, não deve ser visto com olhos de quem vai escrever uma tese acadêmica. Pensa no filme como a história acrescida de fantasias necessárias à indústria, mas uma festa para os olhos. Abstrai aquela bobajada dos sacerdotes verruguentos e do oráculo prisioneiro. Enfim, os diálogos não são, evidentemente, Woody Allen, e a película exige muito mais músculos e esgares ferozes dos atores do que dramaticidade, mas tudo segue tal e qual. Te faz de louco para os exageros e o resto é pura diversão.

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Próximo post: Aretino e os Sonetos Luxuriosos

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