quinta-feira, 24 de abril de 2008

Nunca tão tristes vistes



Senhora, partem tão tristes

meus olhos por vós, meu bem,

que nunca tão tristes vistes

outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,

tão doentes da partida, tão cansados,

tão chorosos, da morte mais desejosos

cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes, os tristes,

tão fora de esperar bem

que nunca tão tristes vistes

outros nenhuns por ninguém.



João Roiz de Castelo-Branco, Cancioneiro Geral

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Esta cantiga é do século XV. Esses portugueses sempre souberam como fazer mágica com as palavras, né?

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