quinta-feira, 10 de abril de 2008

A Vida é Dura


“Este cheiro que você está sentindo, é do ralo”, adianta Lourenço, antes mesmo que o interlocutor se dê conta do mau cheiro. O grande medo de Lourenço é que as pessoas pensem que o cheiro de merda vem dele.

“Só um idiota acredita em felicidade”.

“Eu não gosto de ninguém, acho que nunca vou gostar”.

Lourenço é um cara escroto, mas não imoral. Lourenço é amoral. Incapaz de se relacionar com as pessoas, Lourenço se apaixona pelas coisas, e assim se inicia uma inacreditável jornada através da qual o protagonista aprende a coisificar, inclusive, as pessoas, enquanto o cheiro do ralo o deixa cada vez mais no limite da razão.

A história tem passagens tão inusitadas que beiram o nonsense. Divertidíssimo e ácido, personagens kafkianos, atores excelentes, um baita filme. Não se iluda com o título, não é um filme sobre esgotos, é mais sobre a pequena perversão nossa de cada dia, e as catacumbas da mente.

Baseado num livro de Lourenço Mutarelli, Selton Mello imprescindível na pele do protagonista cloacal, Paula Braun como a garçonete portadora do objeto mais cobiçado por Lourenço é perfeita, e o próprio autor do livro como o segurança da loja, impagável.

Direção: Heitor Dhalia

Se quiser visitar o site oficial, muito bacana, clica aqui.

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Obrigada ao Ricardo, por me chantagear para que eu assistisse a este filme com ele.


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