quinta-feira, 17 de abril de 2008

Sílfide


Para Mathilde Steinbruck

Na madrugada ela escreve
com sua mão pequena e leve.
Não escreve com estrelas,
não com elas por sabê-las.


Escreve com a saudade,
com dores passadas
e risos futuros.
É noite alta na cidade,


e o crescente é bom augúrio.
Sorriso do céu quando dorme,
Parece um vaga-lume enorme,
pousado no teto escuro.


Na noite fria de outono,
com a lua ela vem conversar.
Trocam mistérios e versos,
às vezes, até de lugar!


Sobre essas idéias aladas,
por coisa alguma no universo,
a ninguém ela diz nada.
Por isso é boa confidente:


Por que sabe guardar as mágoas
e os segredos sorridentes.
Guarda tudo numa caixa
da cor da luz do poente.


Ela é assim, maga da noite.
Uma sílfide disfarçada!
À espera da aurora reinventa sonhos,
de dia finge não ser fada.


Laurene Veras
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Escultura de Regina Gallo

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