sábado, 24 de maio de 2008

Ruffato no Rascunho




Antes que eu me esqueça:
O Luiz Ruffato inaugurou uma coluna no Rascunho. Passa lá pra conferir, tá?
http://rascunho.rpc.com.br/index.php?ras=secao.php&modelo=2&secao=3&lista=1&subsecao=59&ordem=1895

Moonlight



Nem tanto à terra
Nem tanto ao mar
Entretanto
o luar.


Laurene Veras

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A foto é super-hiper-amadora, mas pô, da minha janela, do centro de Porto Alegre, com uma cyber shot de celular de 1.0 megapixel sem zoom, dá um desconto, né?
Ô mané, já te deu conta de que em outros idiomas normalmente se diz "luz da lua"? Luar é praticamente um verbo, é o que a lua faz, a lua faz "luar", sacou? Só mesmo através da última flor do Láscio!
O que a lua tá fazendo hoje?
Tá luando...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

TO BEE OR NOT TO BEE


Jerry Seinfeld do começo ao fim. Bom que pra quem gosta de Seinfeld e pra quem gosta de animação. Atenção para a cópia de locadora, animação sempre vem arranhada porque as crianças manuseiam, daí se corre o risco de perder pedaços do filme(como eu, grrrrr, ou melhor,bzzzzzzz). Barry(ou seria Jerry?) é um abelho recém graduado que quer mais da vida além de assumir um trabalho repetitivo na colméia. Além disso ele descobre que há anos os humanos roubam o mel produzido pelas abelhas e resolve botar a boca no trombone...
Participação de Ray Lliota no papel dele mesmo(engraçadíssimo) e Sting revelando seu verdadeiro nome.
Eu gostei.
Pra saber mais, direto na fonte: Bee Movie

quarta-feira, 21 de maio de 2008

terça-feira, 20 de maio de 2008

Esbelta surge Danae




Soneto

Esbelta surge! Vem das águas, nua,
Timonando uma concha alvinitente!
Os rins flexíveis e o seio fremente...
Morre-me a boca por beijar a tua.

Sem vil pudor! Do que há que ter vergonha?
Eis-me formoso, moço e casto, forte.
Tão branco o peito! - para o expor à Morte...
Mas que ora - a infame! - não se te anteponha.

A hidra torpe!... Que a estrangulo! Esmago-a
De encontro à rocha onde a cabeça te há de,
Com os cabelos escorrendo água,

Ir inclinar-se, desmaiar de amor,
Sob o fervor da minha virgindade
E o meu pulso de jovem gladiador.

Camilo Pessanha
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Deve ser a lua cheia...dois eróticos de uma só vez.
O quadro é Danae, de Klimt. Danae foi a mortal que Zeus seduziu sob a forma de chuva de ouro. Repara no ouro entre as coxas da donzela...lindo demais.

Nem o mundo, nem destino


A castidade com que abria as coxas

A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.

Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,

eu não era ninguém e era mil seres

em mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.

Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.

Carlos Drummond de Andrade
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Este senhor, tão compenetrado...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Ana



Um Beijo

que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor

Ana Cristina Cesar

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Psicografia

Também eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras

cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube e digo

da palavra: não digo (não posso ainda acreditar

na vida) e demito o verso como quem acena

e vivo como quem despede a raiva de ter visto


Ana Cristina Cesar
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Desta moça eu posto logo dois, porque é muito bom.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Todos os Fados



Toda poesia

é tua.

Toda alegria

e seus derivados.

Todas as músicas,

todos os fados.

As perdas, angústias,

os risos,as flores,

as rosas,os cardos.

Os planos traçados.

Astúcias

e aguardos.


Todas as coisas

são por tua mirada.

Sempre a procura

por tuas entradas.

Todas as ruas...

e tuas portas fechadas.


Laurene Veras
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Na foto, tchan tchan tchan tchaaaaaaan: Um cardo! Não por acaso é mencionado no poema, mas eu não vou ficar explicando botânica e poética, vai pesquisar meu filho(a)!

terça-feira, 13 de maio de 2008

Um pouco mais de sol e um pouco mais de azul



Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...


Mário de Sá Carneiro

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Para meus fiéis milhares de leitores (aha) : A partir de hoje talvez eu não consiga postar todos os dias, mas vou tentar, prometo. Se tudo correr nos conformes em breve terei internet em casa novamente e daí ninguém nos segura, certo? Por favor tenham um pouco de paciência e não abandonem o blog. Novidades à vista.

Pintura do Bosch. É manjada mas é demais, né? Eu sempre penso que esse senhor certamente comia uns cogumelos selvagens antes de pintar, que nem aquele ermitão do "Irmãos Karamazov" que se alimentava de ervas e cogumelos da floresta e depois enxergava o demônio espreitando-o atrás da porta. Sutil, sutil...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

The Raven


      O CORVO
      (de Edgar Allan Poe)

    Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
    Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
    E já quase adormecia, ouvi o que parecia
    O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
    "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

    É só isto, e nada mais."

    Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
    E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
    Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
    P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

    Mas sem nome aqui jamais!

    Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
    Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
    Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
    "É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
    Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

    É só isto, e nada mais".

    E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
    "Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
    Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
    Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
    Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

    Noite, noite e nada mais.

    A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
    Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
    Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
    E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
    Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

    Isso só e nada mais.

    Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
    Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
    "Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
    Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
    Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

    "É o vento, e nada mais."

    Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
    Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
    Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
    Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
    Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

    Foi, pousou, e nada mais.

    E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
    Com o solene decoro de seus ares rituais.
    "Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
    Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
    Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
    Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
    Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
    Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
    Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

    Com o nome "Nunca mais".

    Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
    Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
    Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
    Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
    Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
    "Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
    Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
    Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
    E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

    Era este "Nunca mais".

    Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
    Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
    E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
    Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
    Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

    Com aquele "Nunca mais".

    Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
    À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
    Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
    No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
    Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

    Reclinar-se-á nunca mais!

    Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
    Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
    "Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
    O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
    O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
    A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
    A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
    Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
    Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
    Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    "Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
    Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
    Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
    Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
    Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
    No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
    Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
    E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

    Libertar-se-á... nunca mais!
Tradução de Fernando Pessoa
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Há também uma tradução do Machado de Assis, uns preferem uma, outros outra, amanhã posto a outra pra quem quiser comparar.
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quinta-feira, 8 de maio de 2008

a prosa é outra

Pessoal, divulgando o show do Tom Gil que o pessoal do Vaia me enviou por mail.
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O show consiste em uma seleção de músicas de autoria do compositor Tom Gil. As letras, amparadas por variados ritmos, trazem um conteúdo crítico, com certa pitada de ceticismo político e filosófico. A sátira e a ironia permeiam o show em alguns momentos, quando, mesmo assuntos ditos "sérios" e "relevantes" são manipulados de forma jocosa, como é o caso das composições "não me usa" e " lenga-lenga". Até a crise conjugal é tratada de forma satírica na canção com título sugestivo de "lua de m".
O repertório faz um passeio por influências de vários estilos como balada, afoxé, baião, xote, samba, frevo, maracatu, coco e até do regue e do rap, mantendo a idéia de misturar esses ritmos entre si, valorizando as convenções rítmicas e a levada sincopada.
O show apresenta Tom Gil nos vocais e violão unido ao percussionista Demétrius Câmara.
SERVIÇO
Quando: 10 de maio, 20h
Onde? No Teatro de Arena
Quanto? 10,00
5,00 (estudantes, idosos e classe artística em geral)
Ficha técnica:
Músicos: Tom Gil: violão e voz. Demétrius Câmara: Percussão
Apoio: Sala de fotografia Antônio Andrade, jornal Vaia e Teatro de Arena

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Prestidigitação





Não se deixe iludir
Por fáceis e doces palavras
Arremedos de pranto sofrido
Afagos que são emboscada
Esgares que não são sorriso
Amparo de não amigos


Pense em perspectiva
O louva-a-deus parece devoto
O padre parece um abutre
O tigre parece um gato
Sanguessugas se escondem no açude


Pimentas não são pitangas
Notícias nem sempre são fatos
O mago precisa das mangas
Para iludir no espetáculo.


Laurene Veras

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Este poema saiu na revista VOX XXI em 2001, não lembro a edição.

Pintura de Salvador Dali.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Sophia


Sophia de Mello Breyner Andresen


Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
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A Sophia é portuguesa e pouco conhecida no Brasil, mas já estudada nas nossas universidades, inclusive pela minha querida amiga e incansável pesquisadora Vivian Steinberg. Devo à ela o conhecimento de Sophia e divido com vocês. Valeu Vivica!
Para quem curtiu a Sophia, tem mais, clica aqui.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ninguém fica para trás!

Na segunda não poderei postar, então este fica por segunda-feira.
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Em uma sociedade obcecada por "vencedores" - cuja concepção está baseada no american way of life, por sua vez uma corruptela medíocre de medíocres filosofias de auto-ajuda - ser um perdedor é a grande fobia. Olive tem 7 anos e o pai a censura por tomar sorvete porque as misses não tomam sorvete, as misses são magras, os magros são vencedores, logo, os vencedores não tomam sorvete, nem ao menos quando têm sete anos. Olive vai participar de um concurso de beleza e talentos para meninas de seis e sete anos. A família de vencedores(divórcio, heroína, bancarrota e suicídio) acompanha Olive até a cidade onde ocorrerá a competição. Daí o roadmovie é uma delicada fábula sobre valores essenciais, com senso de humor negro mas nada escroto, um sopro de esperança em nossos corações congelados pela sociedade de consumo e um puta chute nos bagos da mania de pasteurização do indivíduo da qual a sociedade contemporânea, em particular a norte americana está saturada. Produção despretensiosa, muito justamente premiada, elenco afinadíssimo e imprescindível. Além das demais interpretações, destaque para o talento doce e imaculado da pequena Olive.
"Pequena Miss Sunshine"
Em DVD. Já assisti duas vezes.
Clica no cartaz para visualizar legal.

Sonhos Náufragos


Canção


Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar


Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.


O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...


Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles

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Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento.

Cecília Meireles

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E eu cá redescobrindo queridos poetas que eu havia negligenciado por anos...Este blog foi uma das melhores coisas que fiz este ano, definitivamente.

Desenho da Cecília por Apard Szènes.