sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ricardo

EU

Véu que revela
e oculta
conforme a vontade
do vento.
Sombra do som,
senda no sonho,
aqui se esconde um eu
livre de mim e de você.

Aonde ele vai,
por que ele é assim,
ninguém pode saber.
Um eu em terceira pessoa.
Senhor absoluto
da sua casa de papel.

Ricardo Silvestrin
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Já que falei no professor Silvestrin deixo um poema dele. Nem preciso dizer que gostei porque sou fã desde sempre. Quer mais? Ó:
http://www.ricardosilvestrin.com.br/
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Lost in Translation?

"Tradução em debate"
com IVO BENDER, PEDRO GONZAGA, DANIEL PELLIZZARI e MARIA CRISTINA LENZ DE MACEDO
28/11,
às 18h30
Palavraria (Vasco da Gama, 165 - telefone 3268-4260)
Grátis
O debate faz parte da programação da Verbalada portátil Vol.
Produção: jornal Vaia
Contatos: Fernando Ramos: 51-98923603

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Notinha


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Só para constar, foi bem legal o evento sobre Baudelaire, e o melhor, o primeiro de muitos, sempre com a mediação do professor Silvestrin, sempre na Palavraria, e eu sempre que puder estarei lá.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ninguém me chama de Baudelaire!




"Qual é a do Baudelaire?" com Ronald Augusto, Ricardo Silvestrin e Rosane Pereira 22/11, às 18h30 Palavraria (Vasco da Gama, 165)
Grátis
O debate faz parte da programação da Verbalada portátil Vol.2
(informações em anexo)
Produção: jornal Vaia http://www.jornalvaia.com.br/
Contatos: 51-98923603 ou jornalvaia@gmail.com
O poeta Ricardo Silvestrin convidou o poeta e crítico Ronald Augusto, que preparou um curso recentemente sobre Baudelaire, e também a psicanalista e tradutora Rosane Pereira Pinto, grande leitora de Baudelaire, para juntos falarem sobre esse autor que está na base de tudo que se faz em poesia até hoje. Qual é a do Baudelaire? Um encontro para compartilhar visões, leituras, enfim, saber qual é a do poeta.
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Recortando e colando o convite do Fernando. Bah, rimou, dããã...Na foto, Ricardo Silvestrin.
Nos lemos lá.
PS: Dois posts no mesmo dia. Uau!

Leia-me




Se você

sente prazer

em me ler,

então seja eu

uma Bíblia Sagrada.

Tenha fé,

e me percorra,

em busca de Deus,

ou do Nada.


Mas se eu for em ti

um periódico,

até permito

que te deleites

com minhas imagens.

Nada metódico,

anote números

em minhas margens.

E depois

me abandone

ao esquecimento,

até desconjuntar-me o vento.


Eu quero mesmo

é ser em ti

um livro raro.

Que te admire

manusear-me

como eu fosse

teu privilégio.

Um artigo

dos mais caros,

uma homenagem

à memória,

um poema,

ou uma história.


E depois

de te entranhar

meu conteúdo,

antes do sono,

com cuidado

me descansar

no criado-mudo.


Laurene Veras
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Este é já antigo, li na República da Poesia na terça. Quem foi, foi, quem não foi...perdeeeeeeeeu!!!Então até a próxima edição, que eu aviso aqui. Parabéns à cúpula executiva da República da Poesia: Cacau Gonçalves, Renato de Mattos Motta e Alexandre Brito. Vocês hein?!Mazáááá!!! Bacana o Renato do Bahamas também, que apoiou o projeto, e que pelo jeito curtiu tanto quanto todos nós. A Manu ficou nos devendo um(ns) poema(s) em bom francês da próxima vez.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Resina




Morte silenciosa



A noite cedeu-nos o instinto
para o fundo de nós
imigrou a ave a inquietação

Serve-nos a vida
mas não nos chega:
somos resina
de um tronco golpeado
para a luz nos abrimos
nos lábios
dessa incurável ferida

Na suprema felicidade
existe uma morte silenciada

Mia Couto

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Furiosa e efêmera




A CHEGADA DA CAIXA DE ABELHAS



Encomendei esta caixa de madeira

Clara, exata, quase um fardo para carregar.

Eu diria que é um ataúde de um anão ou

De um bebê quadrado

Não fosse o barulho ensurdecedor que dela escapa.


Está trancada, é perigosa.

Tenho de passar a noite com ela e

Não consigo me afastar.

Não tem janelas, não posso ver o que há dentro.

Apenas uma pequena grade e nenhuma saída.


Espio pela grade.

Está escuro, escuro.

Enxame de mãos africanas

Mínimas, encolhidas para exportação,

Negro em negro, escalando com fúria.


Como deixá-las sair?

É o barulho que mais me apavora,

As sílabas ininteligíveis.

São como uma turba romana,

Pequenas, insignificantes como indivíduos, mas meu deus, juntas!


Escuto esse latim furioso.

Não sou um César.

Simplesmente encomendei uma caixa de maníacos.

Podem ser devolvidos.

Podem morrer, não preciso alimentá-los, sou a dona.


Me pergunto se têm fome.

Me pergunto se me esqueceriam

Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore.

Há laburnos, colunatas louras,

Anáguas de cerejas.


Poderiam imediatamente ignorar-me.

No meu vestido lunar e véu funerário

Não sou uma fonte de mel.

Por que então recorrer a mim?

Amanhã serei Deus, o generoso – vou libertá-los.


A caixa é apenas temporária.
Sylvia Plath
(tradução de Ana Cândida Perez e Ana Cristina Cesar )
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