terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Do outro lado


Eu quando estou inteira

Sou a dona dessa aldeia

Decreto, revogo, condeno,

Enforco, promovo e aposto

 

Então se estou na beira

Olho lá pro fundinho e grito:

Não pulo, não me entrego

Eu me nego, eu me seguro

E não há nada nem ninguém

que me impeça de rir e me aquecer

no intenso carvão de ser.

 

Eu estou aquém do muro.

 

Mas se estou pela metade

Aí é que se dá o dito

Miro a ponta do infinito

Me lanço.  O vôo é longo

A queda é lenta e

fria.


Pouso estilhaço

e não tenho voz.


Aqui do lado escuro.

 


3 comentários:

Sidnei Schneider disse...

Bonito poema. 'Eu me nego' traz uma inversão de expectativas do uso corriqueiro da expressão de entortar os bigodes. 'Carvão de ser' é ótimo. Todo ele amarradinho, parabéns.

Sidnei Schneider disse...

É que "eu me nego", uma suposta negação, no contexto do poema contraria totalmente as expectativas que a gente poderia ter, pois ali se torna a mais fantástica afirmação da vida frente ao abismo. Nunca, em toda minha história de leitor, havia lido uma inversão tão intensa. Talvez, e só próxima do que pariste, aquela do "jamais" no último terceto de A uma passante, de Charles Baudelaire, que ali quer dizer "eternamente, para sempre". Guria, tu tá de arrepiar!

Teresa Azambuya disse...

Concordo, o poema é bonito. Mas queremos mais?

Lau, cadê você???????


Bjs