sábado, 21 de fevereiro de 2009

SONETO ALCOÓLATRA




Escárnio dos alcoólatras, dos ébrios,

ouvi, das brumas em que estava imerso,

alguém dizer que bebe e vai vivendo,

enquanto morrem tantos abstêmios.


Eu, bêbado que sou, não compreendia:

seria estupidez ou falsidade?

Gambás sinceros, sérios, nessa idade

sabem que a sua vida está vazia.


Quem bebe e diz que vive está mentindo,

pois bêbados apenas precipitam

a sensação da morte inevitável.


Quem bebe quer morrer, eis averdade.

E já que a morte às vezes não vem logo,

eu aproveito e bebo mais um copo


Paulo Seben, em Poemas Podres, da AMEOP editora.
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A Morte de Bergman jogando xadrez.
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É, até que tem a ver com carnaval...

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