segunda-feira, 2 de março de 2009

A alma rasa




Inventário do Desamor



Deixo contigo meu sangue

meus livros e minhas horas.


E a dor cansada na insônia

contra o lençol das demoras.


Deixo a paz que eu encontrei

mas me fugiu entre os dedos.


E a chave surda e sem uso

da gaveta dos meus medos.


Deixo perdido um poema

e não por esquecimento:


mas pra que um dia eu te encontre

na leve pauta dos ventos.


Deixo contigo meu ventre

meus olhos, minhas entranhas.


E com mãos nuas, reflito:

- Perde mais quem hoje ganha?


Deixo contigo meus beijos

meu suor, meu desabrigo.


Deixo roupas, documentos.

De meu, nada irá comigo.


Deixo a sombra, de teimosa.

Deixo as fotos, deixo a casa.


Do poço mais infinito

só levo a alma, presa e rasa.


Jaime Vaz Brasil
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Não tenho o nome do ilustrador, se alguém souber agradeço, pra deixar os devidos créditos. Capturado em artorpedo.zip.net/
O Jaime Vaz Brasil é tudo de bom e se quiser ler/saber mais clica aqui.
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Este post é pra ti Jubs.

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