sábado, 30 de maio de 2009

Dionísio e amizade




“Il faut être toujours ivre. Tout est là: c’est l’unique question. Pour ne pas sentir l’horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.

Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous."


“É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.

Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se."

Baudelaire
Tradução: Jorge Pontual
........................................
Um amigo disse que as traduções não são lá essas coisas no Brasil, mas fica o registro aqui, por ocasião da palestra da professora Maria do Carmo no seminário sobre cultura francesa. Sobre a virtude, depende. Sobre o dionisíaco, absolutamente de acordo.
Nada melhor que acordar cedo num sábado frio e chuvoso pra se fazer algo que se gosta, em excelente compania!

Trilhando o conselho do mestre maldito.

;-)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Beber a inquietude



passa e volta
a cada gole
uma revolta

Paulo Leminsmki

.....................................


Hoje recebi duas notícias muito tristes. Primeiro, a morte do Mario Benedetti. Depois, a saúde delicada de uma amiga, não tão próxima, mas mesmo assim muito querida, porque passou voando perto de mim e deixou a marca do amor, que é contrário da morte. O contrário da morte não é a vida, é o bem querer. Por que o amor é o que faz a gente se sentir vivo, o desamor é o que nos mata um pouquinho de cada vez. O desamor faz a guerra, a indiferença. O amor faz a solidariedade, a liberdade, a luta. Benedetti viveu para o amor, por isso é imortal, porque sua vida ficou na obra, que é o testemunho do amor que ele cultivou pelos homens, pela justiça, pela beleza, pela verdade. Benedetti venceu a morte, porque vive nesse amor que não é aquele amor artificial romantizado, aquele amor que idealizamos como um pathos onipotente, aquele amor egoísta e de alcance curto e breve. Eu não creio nesse Eros titânico, metafísico e terrível. Eu creio no amor humano e de cada dia, no amor que constrói, em amizade, em arte, em política. O amor que faz a História. Apesar disso tudo eu ainda aprendo a dor. A morte não morre, mas é derrotada no amor. A dor faz em mim mais vontade de vida, porque acorda e chacoalha minha inconformidade, e a inconformidade corre e batalha ao lado do amor, contra o c0ntrário da vida, contra o esquecimento. Este poema aqui hoje, é para o Benedetti, e para essa menina tão querida. Por isso este poema. Pra me lembrar sempre de sempre me revoltar. Sorver o infinito na taça da inconformidade. Evoé!
......................................
Na ilustração, Benedetti nos olha.

sábado, 16 de maio de 2009

Os Aleixos



Uma mosca sem valor
poisa c’o a mesma alegria
na careca de um doutor

como em qualquer porcaria.


António Aleixo

................................................

Poema de António Aleixo, o "poeta cauteleiro". Poeta português morto em 1949, semi analfabeto, satírico, crítico, Aleixo foi recentemente aventado como inspirador do nome de um dos grandes filósofos da pós- modernidade, Bruno Aleixo. A hipótese baseia-se na similitude entre o título de uma das obras do primeiro, "Este livro que vos deixo", e um dos hits internéticos protagonizado pelo segundo, chamado " Bruno Aleixo e os conselhos que vos deixo". O primeiro Aleixo tem uma verve poética crítica e singular, enquanto o segundo é provocativo e algo temerário em seus famosos aforismas, como por exemplo, "os homens que usam brincos são drogados", ou quando, em documento de sua época de escolar, discriminava o colega Ramiro apenas pelo fato deste ser "repetente". Diferenças à parte, ambos os Aleixos partilham de curiosas coincidências biográficas além da irreverência de pensamento e do sobrenome. António Aleixo faleceu aos 50 anos vítima de tuberculose, e Bruno teria falecido aos 51 anos, aparentemente vítima de uma complicação da pilosidade que por toda sua vida fora uma característica marcante em sua figura polêmica. Há entretando rumores de que Bruno Aleixo não tenha de fato falecido, mas antes apenas viajado ao Brasil em visita a parentes. A relevância destas informações neste blog justifica-se pelo reconhecido talento literário de António, e pela febre causada por causa do humor inusitado de Bruno Aleixo, o cantador das janeiras.

Mais Bruno Aleixo aqui.

............................................

Nas fotos, Bruno Aleixo na escola e abaixo o poeta António Aleixo.


quinta-feira, 14 de maio de 2009

gosto que me enrosco



eu gosto
que me enrosco
desse colo
desse cheiro
desse pelo

eu adoro
ser um gato
no teu cio

Laurene Veras
................................................
Este poeminha é só porque estava na aula e ouvimos uma música que tem justamente esse título, "eu gosto que me enrosco", daí me lembrei imediatamente desse poema e pensei, nossa, eu gosto desse poemeco, de quem é mesmo? Dã, é meu, rs. O que eu tenho de linhas perdidas na minha cabeça de porongo dava um bom punhado de coisas. Gosto especialmente do ritmo dele. Enfim, não é a quintessência da poesia, mas é meu e eu gosto dele.
.................................
A ilustração, mais uma vez, da minha ilustradora favorita, a incomparável Lupe.

Alegria da influência na Palavraria



PALAVRA – alegria da influência

Encontro literário de LEANDRO DÓRO e CAIO RITER

DIA 16 DE MAIO – SÁBADO, 18h30min

Pocket show: Bianca Obino

PALAVRARIA (RUA VASCO DA GAMA, 165 – tel. 3268-4260)

Entrada franca

INFORMAÇÕES: 3268-4260 OU 9892-3603

PRODUÇÃO/REALIZAÇÃO: Jornal VAIA

APOIO: Livraria PALAVRARIA

Assessoria de imprensa: Fernando Ramos (contatos: jornalvaia@gmail.com e 51-9892-3603)
******

Caio Riter |nasceu em Porto Alegre-RS, onde mora. É professor, Mestre e Doutor em Literatura Brasileira, coordenador de Oficina Literária. É autor, entre outros, de “Meu pai não mora mais aqui” e “O rapaz que não era de Liverpool”. Recebeu vários prêmios, entre eles destacam-se: 1º Prêmio Barco a Vapor, Açorianos, Orígenes Lessa, Livro do Ano-AGES, além de ter obras selecionadas pelo PNBE, e para os catálogos White Ravens e Bolonha. Site: www.caioriter.com. Blog: caioriter.blogspot.com.

Leandro Malósi Dóro | jornalista, cartunista, contista e produtor gráfico. Nasceu em Passo Fundo (RS) e reside em Porto Alegre (RS). Autor do livro “Revolta dos Motoqueiros” e da revista em quadrinhos “Tempero Verde”. Criador da revista “Gauchinho”. Mantém os blogs http://leandrodoro.zip.net, http://leandromalosidoro.blogspot.com, http://contosemquadrinhos.blogspot.com, http://meiguinhaepolentinha.blogspot.com e portifólio virtual em http://www.flickr.com/photos/leandrodoro/.

Créditos das fotos (Caio Riter e Leandro Dóro): Divulgação

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ô! Vai ler um livro rapá!





"Era bom que trocássemos umas idéias sobre o assunto", do Mario de Carvalho. Pra mim, genial, leve sem ser superficial, digressivo mas divertido, irônico até não poder mais.

"Exortação aos crocodilos", do António Lobo Antunes. O melhor, o cientista louco da palavra. Só não faz como eu e adormece lendo isso que é pesadelo na certa. Pesado, denso, absurdamente subjetivo, crítico, fragmentado, triste, trágico. Mas é biscoito fino.

"Equador", do Miguel Sousa Tavares. Um romance histórico, desses três o mais extenso, mas de leitura fluída, cativante, curioso, e dá uma boa idéia de como aconteciam as coisas entre Portugal e as colônias no início do século passado, tanto no sentido público quanto no privado. Tri bom de ler. Curiosidade sobre o autor: Filho da maravilhosa poeta Sophia de Mello Breyner Andresen.
................................
Todos estes livros foram escolhidos pela professora Elisabete Peiruque. Não bastasse serem excelentes romances, a aula dela não deixa por menos. Ah, eu sou fã, eu sou fã mesmo, ando tão rabujenta que quando eu gosto de algo é quase obrigação tocar no assunto. :D
....................
Fotografias em ordem de postagem: Miguel Sousa Tavares. António Lobo Antunes. Mário de Carvalho. Todos com cara de queridinhos que não ando com humor pra cara feia. :p

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Receita de inefável




Ingrediente da receita da lasanha industrializada: "Aroma de fumaça".

Imaginei uma receita de chocolate assim:

- aromatizante de sonho bom
-aromatizante de devaneio
-aromatizante de pôr-do-sol
-cacau, leite, etc

Ou então um sorvete, bem cremoso:

-aromatizante de banho de mar
-aromatizante de brisa da serra
-aromatizante de sombra de flamboyant
-leite, açúcar, etc
..................................
Ilustração dela, a melhor, a Lupe!