segunda-feira, 25 de maio de 2009

Beber a inquietude



passa e volta
a cada gole
uma revolta

Paulo Leminsmki

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Hoje recebi duas notícias muito tristes. Primeiro, a morte do Mario Benedetti. Depois, a saúde delicada de uma amiga, não tão próxima, mas mesmo assim muito querida, porque passou voando perto de mim e deixou a marca do amor, que é contrário da morte. O contrário da morte não é a vida, é o bem querer. Por que o amor é o que faz a gente se sentir vivo, o desamor é o que nos mata um pouquinho de cada vez. O desamor faz a guerra, a indiferença. O amor faz a solidariedade, a liberdade, a luta. Benedetti viveu para o amor, por isso é imortal, porque sua vida ficou na obra, que é o testemunho do amor que ele cultivou pelos homens, pela justiça, pela beleza, pela verdade. Benedetti venceu a morte, porque vive nesse amor que não é aquele amor artificial romantizado, aquele amor que idealizamos como um pathos onipotente, aquele amor egoísta e de alcance curto e breve. Eu não creio nesse Eros titânico, metafísico e terrível. Eu creio no amor humano e de cada dia, no amor que constrói, em amizade, em arte, em política. O amor que faz a História. Apesar disso tudo eu ainda aprendo a dor. A morte não morre, mas é derrotada no amor. A dor faz em mim mais vontade de vida, porque acorda e chacoalha minha inconformidade, e a inconformidade corre e batalha ao lado do amor, contra o c0ntrário da vida, contra o esquecimento. Este poema aqui hoje, é para o Benedetti, e para essa menina tão querida. Por isso este poema. Pra me lembrar sempre de sempre me revoltar. Sorver o infinito na taça da inconformidade. Evoé!
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Na ilustração, Benedetti nos olha.

4 comentários:

Manu disse...

Por tal drama e eros inverso
Desses santos libertinos
Louvemos teatro e versos
Em sarau benedettino
***


Chau número tresM BenedettiTe dejo con tu vida
tu trabajo
tu gente
con tus puestas de sol
y tus amaneceres.

Sembrando tu confianza
te dejo junto al mundo
derrotando imposibles
segura sin seguro.

Te dejo frente al mar
descifrándote sola
sin mi pregunta a ciegas
sin mi respuesta rota.

Te dejo sin mis dudas
pobres y malheridas
sin mis inmadureces
sin mi veteranía.

Pero tampoco creas
a pie juntillas todo
no creas nunca creas
este falso abandono.

Estaré donde menos
lo esperes
por ejemplo
en un árbol añoso
de oscuros cabeceos.

Estaré en un lejano
horizonte sin horas
en la huella del tacto
en tu sombra y mi sombra.

Estaré repartido
en cuatro o cinco pibes
de esos que vos mirás
y enseguida te siguen.

Y ojalá pueda estar
de tu sueño en la red
esperando tus ojos
y mirándote.

Manu disse...

Por tal drama e eros inverso
Desses santos libertinos
Louvemos teatro e versos
Em sarau benedettino
***


Chau número tresM BenedettiTe dejo con tu vida
tu trabajo
tu gente
con tus puestas de sol
y tus amaneceres.

Sembrando tu confianza
te dejo junto al mundo
derrotando imposibles
segura sin seguro.

Te dejo frente al mar
descifrándote sola
sin mi pregunta a ciegas
sin mi respuesta rota.

Te dejo sin mis dudas
pobres y malheridas
sin mis inmadureces
sin mi veteranía.

Pero tampoco creas
a pie juntillas todo
no creas nunca creas
este falso abandono.

Estaré donde menos
lo esperes
por ejemplo
en un árbol añoso
de oscuros cabeceos.

Estaré en un lejano
horizonte sin horas
en la huella del tacto
en tu sombra y mi sombra.

Estaré repartido
en cuatro o cinco pibes
de esos que vos mirás
y enseguida te siguen.

Y ojalá pueda estar
de tu sueño en la red
esperando tus ojos
y mirándote.

Lisiane V disse...

"Li em algum lugar que o amor traz harmonia a um conflito sem destruir nenhum lado. O ódio faz o contrário. Se o ódio fosse o princípio regente, não existiria mais oposição no mundo. Mas porque fogo e água existem, o amor deve ser o princípio que rege a tudo." Danis Tovic
E como deve.
bjs!

Teresa Azambuya disse...

Com um pouco de atraso, manifesto-me!
Lindas todas essas tuas palavras, tranformando tristeza em esperança.
E que assim seja.