quinta-feira, 23 de julho de 2009

Macanudo



Eu já tinha visto os pinguins dele numa edição da revista Piauí, e graças à minha irmã pude conhecer melhor o trabalho dele. Esse argentino é biscoito fino: Liniers, que nunca começou a desimaginar. Pra ver mais, clica aqui.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

As meninas dos quadrinhos




Samanta, Mauren, Chiquinha e Ana Luiza. Quatro meninas que fazem quadrinhos em Porto Alegre e estão na Zero deste domingo em matéria da Fernanda Zaffari. Para ver a matéria e os autorretratos, clica aqui.
Ah sim, a Mauren é minha irmã, minha catréfis, minha querida, e a pentelha do meu coração! Eu te adoro sua peste!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Não eu

    Gato que brincas na rua
    Como se fosse na cama,
    Invejo a sorte que é tua
    Porque nem sorte se chama.

    Bom servo das leis fatais
    Que regem pedras e gentes,
    Que tens instintos gerais
    E sentes só o que sentes.


    És feliz porque és assim,
    Todo o nada que és é teu.
    Eu vejo-me e estou sem mim,
    Conheço-me e não sou eu.

    Fernando Pessoa, 1-1931
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    Ilustração de Odilon Moraes.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Maria Flor



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Faz mt tempo que eu tava devendo pro blog, pra Camila e pra td mundo que gosta de ver coisas bonitas. Este é o filme da Camila Carrossine, e eu adoro! A música do filme tb é perfeita. Mas a minha paixão(não espalha!) são os sapatinhos da Maria Flor! Pronto, falei!
Mais Camila Carrossine aqui.
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Obrigada mana por me ensinar, obrigada ao Manuel por ter tentado me ensinar tb, rs. Falando nisso, antes que eu me esqueça: Tchê, é tri bom ter uma irmã! Pq às vezes a gente demora tanto tempo pra perceber o óbvio? Dã.
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Esse post é dedicado à Ana Carolina Steil, amiga querida, guerreira espartana, e que tá de aniversário hj. A Ana é bonita e delicada que nem a Maria Flor. Bjão minha querida!

o dilema de Juliana

avó Néia
se chamava Adelaide
se chamava domingo
de tarde

Juliana Meira
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Poema de uma das minhas poetas gaúchas favoritas, tá no livro poema dilema, lançado agorinha pela coleção Palavra Viva da editora Porto Poesia. Na palavraria tem, e não só o da Ju, a turma do Porto Poesia entrou nessa de cabeça e coração. Passa lá!
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Ilustração da fofíssima Camila Carrossine. Dá uma olhada aqui nos meus links, tem o site dela, que eu tb recomendo, muito.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dante e eu


Socorro
Arnaldo Antunes/Alice Ruiz

Socorro!

Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...

Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...

Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro! Eu já não sinto nada...

Socorro!
Não estou sentindo nada [nada]
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir...

Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Eu Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate
Nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...
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Vou usar essa música na apresentação de um seminário sobre três livros do Gonçalo Tavares essa semana. Mas a questão não é que eu não sinta nada, é o contrário. Eu sinto demais. É um caleidoscópio de sentimentos, uma montanha-russa, uma tempestade, em suma, o meu inferno pessoal é sentir demais. Quando eu morrer, oxalá não tão tarde ao ponto de já estar realmente acreditando em céu e inferno, meu círculo infernal vai ser assim: Sentimentos gritantes em uma sinfonia diabólica, e sem o telefone de um amigo, sem e-mail, sem blog, sem um bloquinho pra me expressar, sem um "remédio que me dê alegria". De todos os diabinhos dos sentimentos, o que mais me cutuca, é o da agressividade. Porque ele não se mostra. A agressividade, a raiva, a frustração, ficam me pinicando com o tridente nos meus pesadêlos, e quando eles fogem do sono e invadem a vigília, aí é a convenção, o banquete dos demônios. Porque eu recalco. Daí eles são larvas de ira que se metamorfoseiam em borboletas de melancolia. E elas ficam voando à minha volta e jogam um pó de apatia nos meus olhos, e daí deu-se a merda.
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A melhor interpretação desta música, na minha abúlica opinião, é a da Gal. Tá no disco "Bossa Tropical".
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Ilustração da Lupe. Entra no site dela, é lindo, tá aqui do lado, nos meus links.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Traquinagem vocabular


Absorta nas leituras para o final de semestre na faculdade minha mente faz malabares pra me distrair. "Conspícuo". Adorno diz que no jazz notas falsas ou "tons sujos" desempenham um papel conspícuo. "Peraí", cantam dramaticamente em uníssono os 99% dos meus 2 neurônios sobreviventes de botecagens e que arduamente têm me mantido na já longa e pedregosa estrada que leva à titulação semi inútil de mestre: "Alto lá!", enfatizam o Tico e o Teco. Mas será o pé do Benedito que o Adorno agora vai atribuir adjetivos sensuais pejorativos na desesperada tentativa de provar que a música popular é um engodo sem qualidades? Apelar pra moral e os bons costumes(ou o contrário disso)? Por que diabos essa palavra me lembra algo libidinoso e isso parece não ter absolutamente bulhufas a ver com o texto? Dicionário, meu velho e cansado amigo, paciente, missionário conselheiro: Conspícuo significa justamente o contrário do que anda a bailar nesta tua mente imunda, bueira, luxurienta! Conspícuo, caros Tico, Teco, e cabeça de porongo responsável por este blog, significa sério, respeitável, bem mais ao gosto do velho Scrooge de Frankfurt e provavelmente se referindo à música erudita européia. O que ocorre, senhores 2 neurônios e messalina portadora dos mesmos, é que a mente direta e agoramente envolvida com o texto é suja, sexualóide, concupiscente!
E num átimo, enquanto ainda decido se presto atenção ao sermão da minha também surrada e vilipendiada nesga de lucidez, eis que se desfaz o inequívoco equívoco: Conspícuo, concupiscente. Nada a ver o fiofó com as calças, tudo a ver a confusão causada por uma gratuita semelhança de sonoridade e pela concupiscência de uma consciência achincalhada por anos de escola espartana. Elementar, meu caro eu mesmo!
Moral da estória: O ministério da educação não adverte, mas em verdade vos digo: Graduação em Filosofia faz mal à saúde.
Amém.
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Na ilustração, eu, digo, o louco por excelência do cinema, Jack Nicholson em O Iluminado de Stanley Kubrick, de 1980.
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Obi Wan Kenobi:
"Quem é mais louco: O louco, ou aquele que o segue?"
;-P