segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dante e eu


Socorro
Arnaldo Antunes/Alice Ruiz

Socorro!

Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...

Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...

Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro! Eu já não sinto nada...

Socorro!
Não estou sentindo nada [nada]
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir...

Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Eu Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate
Nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...
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Vou usar essa música na apresentação de um seminário sobre três livros do Gonçalo Tavares essa semana. Mas a questão não é que eu não sinta nada, é o contrário. Eu sinto demais. É um caleidoscópio de sentimentos, uma montanha-russa, uma tempestade, em suma, o meu inferno pessoal é sentir demais. Quando eu morrer, oxalá não tão tarde ao ponto de já estar realmente acreditando em céu e inferno, meu círculo infernal vai ser assim: Sentimentos gritantes em uma sinfonia diabólica, e sem o telefone de um amigo, sem e-mail, sem blog, sem um bloquinho pra me expressar, sem um "remédio que me dê alegria". De todos os diabinhos dos sentimentos, o que mais me cutuca, é o da agressividade. Porque ele não se mostra. A agressividade, a raiva, a frustração, ficam me pinicando com o tridente nos meus pesadêlos, e quando eles fogem do sono e invadem a vigília, aí é a convenção, o banquete dos demônios. Porque eu recalco. Daí eles são larvas de ira que se metamorfoseiam em borboletas de melancolia. E elas ficam voando à minha volta e jogam um pó de apatia nos meus olhos, e daí deu-se a merda.
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A melhor interpretação desta música, na minha abúlica opinião, é a da Gal. Tá no disco "Bossa Tropical".
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Ilustração da Lupe. Entra no site dela, é lindo, tá aqui do lado, nos meus links.

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