sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um sonho para Tim Burton filmar




Morávamos em um condomínio próximo a uma avenida onde ficava o zoológico. Era uma tarde de domingo e estávamos no pátio. Um vizinho veterinário havia morrido e olhávamos para as janelas fechadas de seu apartamento quando um casal de gatos apareceu caminhando rente à parede parecendo assustados. Concluímos que deviam ter pertencido ao velho veterinário e eu e minha irmã pegamos os gatinhos no colo. O macho era mesclado de cinza e branco, pêlo de comprimento médio, pouca coisa arredio. Peguei a fêmea e ela tinha um pêlo peculiar, era mesclado como o do macho, mas de branco com uma espécie de cor de rosa, um rosa desmaiado, rosa chá. A gatinha era muito mansa e mimosa, tinha olhos imensos, cor de mel, e pensei que era o animal mais bonito que eu já tinha visto.
Minha irmã foi para casa com os gatos e eu fiquei pela rua, era final de tarde e havia uma roda de samba num bar entre o condomínio e a avenida. De repente vi passar pela avenida uma bola de futebol e atrás dela vinha uma girafa, que corria como se fosse fazer um gol. Aquilo era tão extraordinário que me pareceu verossímil e chamei a atenção dos amigos dizendo, gente, olha aquilo, uma girafa jogando futebol! Então atrás do passo desengonçado da girafa começaram a aparecer vários pequenos animais que pareciam fugir de algo, havia muitos roedores exóticos e um coala e foi então que me dei conta: Os animais haviam fugido do zôo! Chamei por minha irmã e pedi que trouxesse a camera fotográfica, ela veio correndo e fiquei muito frustrada porque o filme havia acabado e eu não poderia tirar fotos. Estávamos maravilhados observando os ônibus que paravam para não atropelarem os pequenos animais quando começou a descer uma inundação pela avenida, como se algum grande tanque tivesse arrebentado. A água invadiu a calçada caudalosa e rapidamente e todos tentamos correr para casa com medo de que os jacarés viessem junto com aquela inesperada correnteza. Todos já haviam entrado em casa e pensei, que bom que pelo menos os gatos estão a salvo. Resolvi dar uma última olhada para trás e a cena que restou na minha retina é o quadro que eu jamais esquecerei. De algum modo a girafa havia sido empalada, mas ainda se movia, guiada por uma espécie de jóquei de girafas, como se a estaca que a tinha matado fosse um grotesco pula pula, e ela pulava num ritmo decadente, com o pescoço mole pendendo para o lado. De seus olhos fechados com as pestanas longas e tristes escorria um líquido negro, já meio seco, como se ela tivesse chorado e borrado a maquiagem.
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Acho que foi um dos sonhos mais tristes de que possa me lembrar.

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