domingo, 16 de maio de 2010

O processo insectológico de autofagia da alma




A Metamorfose ou Os Insetos Interiores ou O Processo
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli

Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se

A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

El Otro Yo




El otro Yo

Se trataba de un muchacho corriente: en los pantalones se le formaban rodilleras, leía historietas, hacía ruido cuando comía, se metía los dedos en la nariz, roncaba en la siesta, se llamava Armando. Corriente en todo, menos en una cosa: tenía Otro Yo.
El Otro Yo usaba cierta poesía en la mirada, se enamoraba de las actrices, mentía cautelosamente, se emocionaba en los atardeceres. Al muchacho le preocupaba mucho su Otro Yo y le hacía sentirse incómodo frente a sus amigos. Por otra parte, el Otro Yo era melancólico y, debido a ello, Armando no podía ser tan vulgar como era su deseo.
Una tarde Armando llegó cansado del trabajo, se quitó los zapatos, movió lentamente los dedos de los pies y encendió la radio. En la radio estaba Mozart, pelo el muchacho se durmió. Cuando despertó el Otro Yo lloraba con desconsuelo. En el primer momento, el muchacho no supo qué hacer, pero después se rehizo e insultó concienzudamente al Otro Yo. Este no dijo nada, pero a la mañana siguiente se había suicidado.
Al principio la muerte del Otro Yo fue un rudo golpe para el pobre Armando, pero en seguida pensó que ahora só podría ser integralmente vulgar. Ese pensamiento lo reconfortó.
Sólo llevaba cinco dias de luto, cuando salió a la calle con el propósito de lucir su nueva y completa vulgaridad. Desde lejos vio que se acercaban sus amigos. Eso le llenó de felicidad e inmediatamente estalló en risotadas. Sin embargo, cuando pasaron junto a él, ellos no notaron su presencia. Para peor de males, el muchacho alcanzó a escuchar que comentaban: "Pobre Armando. Y pensar que parecía tan fuerte, tan saludable".
El muchacho no tuvo más remedio que dejar de reír, y, al mismo tiempo, sintió a la altura del esternón un ahogo que se parecía bastante a la nostalgia. Pero no pudo sentir melancolía se la había llevado el Otro Yo.

Mario Benedetti
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Maestro, te extraño, todavía seguimos en la calle, codo a codo.
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Tela de Munch

sábado, 15 de maio de 2010

O Teatro Mágico








É teatro, é música, é poesia (e mt boa por sinal) e é mágico. É arte engajada e arte engraçada, é lírico e pode ser até uma porrada. Teatro mágico.
http://oteatromagico.mus.br/

E eu tava lá e era o melhor lugar onde eu poderia estar naquele momento. Obrigada Flora e Tininha.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Hein???



Hj tem Nei Lisboa na Feira da Agricultura Familiar em Porto Alegre. 19 hs. É ali, no Cais!
E amanhã tem Frank Jorge, Julio Reny e Wander Wildner, dentre outras cositas más!
10 pila.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ah, os truques que os homens inventam...



Só pq me lembrou a moça da ilustração do post anterior e eu gosto mt deste Klimt. Se chama Danae, que foi a mortal a qual Zeus seduziu na forma de uma chuva de ouro.

El dragón



Quando ferida
me esquivo
a boca sangra
em carne viva
no peito pulsa um dragão.

Dilacerado e renascido
é sem medo que me sinto vivo
enquanto cá dentro ressona
a fera que dorme
com um dos olhos abertos.

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Algunos días
sólo deberían efectuarse en los crepúsculos
los albores presos
del ayer.
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Escovando o cabelo
da nuca exala um cheiro
de perfume e saliva.
Como os tigres.
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Laurene Veras
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Acrílico do Celso Mathias, clica aqui pra conferir mt mais coisa legal no TNTema.

domingo, 9 de maio de 2010

Esse olhar meio escudo




Água Perrier
Adriana Calcanhotto
Composición: Adriana Calcanhoto / Antônio Cìcero

Não quero mudar você,
Nem mostrar
Novos mundos
Porque eu, meu amor, acho graça até mesmo em clichês.
Adoro esse olhar blasé
Que não só
Já viu quase tudo
Mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver.

Só proponho
Alimentar seu tédio.
Para tanto, exponho
A minha admiração.
Você em troca cede o
Seu olhar sem sonhos
À minha contemplação:
Aí eu componho uma nova canção.

Adoro, sei lá por que,
Esse olhar
Meio escudo
Que em vez de qualquer álcool forte pede água perrier

Adoro, sei lá por que,
Esse olhar
Meio escudo
Que não quer o meu álcool forte e sim água perrier

sábado, 8 de maio de 2010

Sem



Grito por todos os poros

Pela raiz dos cabelos

Grito por baixo das unhas

E só quem ouve meu apelo

São as sombras de cada ruína

Cada lugar esquecido

Cada frio castelo

Todo porão sem ninguém

Todo beco obscuro

Eu grito por cima dos muros

Até sufocar de ser sem.


Laurene Veras

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Gosto mt desta foto mas desconheço a autoria. Encontrei aqui.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Essa pouca cinza fria

EPÍGRAFE



Sou bem-nascido. Menino,
Fui, como os demais, feliz.
Depois, veio o mau destino
E fez de mim o que quis.

Veio o mau gênio da vida,
Rompeu em meu coração,
Levou tudo de vencida,
Rugia e como um furacão,

Turbou, partiu, abateu,
Queimou sem razão nem dó -
Ah, que dor!
Magoado e só,
- Só! - meu coração ardeu:

Ardeu em gritos dementes
Na sua paixão sombria...
E dessas horas ardentes
Ficou esta cinza fria.
- Esta pouca cinza fria.

Manuel Bandeira

Bué de coisas legais



Nessa quinta, dia 6, a menina super poderosa Jane Tutikian vai falar sobre literatura africana no Instituto Goethe. A entrada é franca, 19h30, no endereço do Instituto: Rua 24 de Outubro, 112. Além do assunto ser tudo a ver, a Jane é encantadora. Passa lá!

sábado, 1 de maio de 2010

The world is full of crashing bores



Morrissey

You must be wondering how
The boy next door turned out
Have a care,
But don't stare
Because he's still there
Lamenting policewomen policemen silly women taxmen
Uniformed whores,
They who wish to hurt you,
Work within the law
This world is full,
So full of crashing bores
And I must be one,
'Cos no one ever turns to me to say
Take me in your arms,
Take me in your arms,
And love me

You must be wondering how
The boy next door turned out
Have a care, And say a prayer
Because he's still there

Lamenting policewomen policemen silly women taxmen
Uniformed whores,
criminals,
Work within the law
This world is full,
Oh oh,
So full of crashing bores
And I must be one, cos no one ever turns to me to say
Take me in your arms,
Take me in your arms
And love me,
And love me

What really lies,
Beyond the constraints of my mind
Could it be the sea,
With fate mooning back at me
No it's just more lock jawed pop stars
Thicker than pig shit,
Nothing to convey
They're so scared to show intelligence
It might smear their lovely career

This world,
I am afraid,
Is designed for crashing bores
I am not one, I am not one
You don't understand,
You don't understand,
And yet you can
Take me in your arms and love me,
Love me,
And love me

Take me in your arms and love me,
Love me, love me
Take me in your arms and love me,
Take me in your arms and love me

Triste maio




POEMA DO MAIS TRISTE MAIO

(...)
As saudades não me consolam,
Antes pungem-me como cardos.
As companhias me desolam,
E os versos que me vêm, vêm tardos.

Meus amigos, meus inimigos,
Saibam todos que o velho bardo
Está agora, entre mil perigos,
Comendo, em vez de rosas, cardos.

Manuel Bandeira

Camila no tiene tetas


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Eu não sei de onde ele tira essas coisas...brigada cunhas!

Que medo!



Este mês tem ciclo Hitchcock na sala Redenção, ali na reitoria da UFRGS. Entrada franca. Te liga na programação clicando aqui.

Viva Vaia