quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um olhar sobre a palavra


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Sábado, 18 hs, na Palavraria.
Pessoalmente gosto muito de ilustração para livros infantis, para conhecer melhor o trabalho do André Neves, clica aqui.
E bora para a Palavraria no sábado, tomar uma café, bater um papo, conhecer esses dois artistas e aproveitar o final de semana!

terça-feira, 29 de junho de 2010

O NOME DOS GATOS



A Companhia das Letrinhas lançou ano passado um livro adorável com os poemas de T.S. Eliot sobre gatos. Os poemas são aqueles, irretocáveis, a edição é bilíngue, mas a surpresa e delícia da coisa são os gatos ilustrados por Axel Scheffler. O poema que transcrevo abaixo é traduzido pelo Ivan Junqueira, mas no livro ilustrado a tradução é do Ivo Barroso.

“Dar nome aos gatos é um assunto traiçoeiro,
E não um jogo que entretenha os indolentes;
Podes julgar-me louco como um chapeleiro,
Mas a um gato se dá três nomes diferentes.
Primeiro, o nome por que o chamam diariamente,
Como Pedro, Augusto, Belarmino ou Tomás,
Como Vítor ou Jonas, Alonso ou Clemente
- Enfim, nomes discretos e bastante usuais.
Há mesmo os que supomos soar com som mais brando,
Uns para damas, outros para cavalheiros,
Como Platão, Deméter, Ésquilo, Menandro,
Mas são todos discretos e assaz corriqueiros.
Mas a um gato cabe dar um nome especial,
Um que lhe seja próprio e menos correntio:
Se não como manter a cauda em vertical,
Distender os bigodes e afagar o brio?
Dos nomes desta espécie é bem restrito o quórum,
Como Quaxo, Munkustrap ou Coricopato,
Como Bombalurina, ou mesmo Jellyjorum…
Nomes que nunca pertencem a mais de um gato.
Mas, acima e além, há um nome que ainda resta,
Este de que jamais ninguém cogitaria,
O nome que nenhuma ciência exata atesta
- Somente o gato sabe, mas nunca o pronuncia.
Se um gato surpreenderes com o ar meditabundo,
Saibas a origem do deleite que o consome:
Sua mente se entrega ao êxtase profundo
De pensar, de pensar, de pensar em seu nome:
Seu inefável afável
Inefanefável
Abismal, inviolável e singelo Nome.”

T.S. Eliot
Tradução de Ivan Junqueira

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O beijo do século





Morreu hj Edith Shain, a enfermeira protagonista da célebre foto de Alfred Eisenstaedt registrada na Times Square em 14 de agosto de 1945. Deixo aqui foto original e a citação/homenagem de Watchmen, o filme, na melhor cena da efeméride "minute" Silhouette.

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É amanhã!!!

Bom humor é que nem cerveja...


...cura tudo! Até espanta o frio!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Esse trem é bão dimais!



Quem chegar por último é mulher do padre. E se mexe meu camarada, que os padres não andam lá com essa bola tda...

sexta-feira, 18 de junho de 2010




(...) não se trata, como eu dizia, de introduzir o político, quer dizer, não se trata de utilizar a literatura para fazer passar a política e a ideologia. Pelo contrário, trata-se é de introduzir um homem que tem uma certa consciência de si próprio, do país a que pertence, da história, da cultura e tudo mais e que passa por uma visão de mundo, uma visão harmônica e que para ele é pacífica, mesmo que seja de conflito com o que está à sua volta.(...)"
José Saramago em conferência realizada na USP ao lado de José Luandino Vieira.

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Quando Benedetti estava no hospital, pouco antes de morrer, Saramago e sua mulher fizeram um apelo aos admiradores do uruguaio pelo mundo. Que não necessariamente rezassem pela recuperação de Benedetti, pensador e ativista de esquerda, ateu, mas que dissessem um de seus poemas como quem diz uma prece, desejando sua melhora. Assim foi que uma corrente de poesia e amor - sim, isso tb é amor - espalhou-se mundo afora, começando com uma pequena faísca vinda de além mar.
Saramago também era ateu, por isso deixo aqui, em sua memória, um poema de um terceiro cara que também escrevia como quem reza por um mundo melhor.

Somos quatro,
cinco (às vezes seis) amigos
- seis senhores gordos e sorridentes -
que às sextas-feiras se reúnem para
(de um modo público e secreto) demonstrar
que continuamos profundamente humanos.

Damos uma chance à humanidade às sextas-feiras
assim como os antigos burgueses
davam uma chance a Deus aos domingos.

Vitelones, emigrantes, tropicais
fomos todos crianças pobres e
recebemos muitas porradas na alma
ou na psique borboleta; nas esquinas
sombrias do inconsciente e na vergonha.

Está na cara.
Mas é claro que essas bofetadas não
foram recebidas em vão;
Secretamente, sabíamos que sofríamos
por um ideal mais alto
chamado liberdade.

Não só para nós (é óbvio), mas
para todos aqueles que, como nós,
tiveram de brigar
pelos frutos da árvore da vida.

Hoje somos quatro, cinco ou seis
senhores gordos e bem vestidos.

Conquistamos a liberdade e - naturalmente -
nos tornamos prisioneiros dela.

Essa liberdade (irmã da paz, moça sem língua)
nos oprime e nos sufoca,
pois, com medo de perdê-la,
deixamos de ser livres.

Evidentemente, essas certezas secretas
nós não revelamos aos outros quatro ou cinco,
pois nós somos intelectuais.

Votamos na esquerda, embora nos asssegurem
que ela não existe mais;
tratamos bem os nossos subalternos e
- aparentemente - somos até
pessoas queridas na comunidade.

Somos capazes de chorar
vendo um filme no qual um anarquista esfomeado
apanha da polícia por querer defender
os explorados que acabarão votando na direita.

Choramos ao ver num filme - prisioneiro de
um tempo de ficção - o menino filhodaputa
que quer se suicidar
porque sua mãe morreu de fome.

À noite, de porre, entre sonhos e roncos
prometemos adotar o menino,
que vende chicletes na esquina.

Mas, pela manhã, pessoas ocupadas que somos,
esquecemos tudo ou
fingimos que esquecemos.

Temos que preservar a nossa liberdade
e o tempo real é muito mais duro que
aquele do romance.

Somos quatro, cinco, seis amigos.
Sabemos tudo sobre Brecht, Mayakovsky, Marx.
E torcemos por Fidel.

Por isso, temos dezesseis, estourando
dezessete, dezoito anos.

Mas nossos filhos sisudos
já passaram dos cinqüenta
e acham que a arte pode ser parida sem dor.

Não pensem que não fazemos planos.
Fazemos sim.
Um dia vamos alugar um ônibus e partir
sem destino.

Com nossas banhas, nossos reumatismos e
nossas caras de palhaço
que vamos puxando por uma corda.

Enlouqueceremos as mulheres!

Esta semana não será possível
alugar o ônibus e partir, pois
há muitas coisas importantes a serem feitas.

Em parte, somos responsáveis por uma realidade
de superfície que nada tem a ver com a vida,
mas que corta rente aos ossos.

Nós, porém, fingimos que não é conosco
Assim como fingimos não perceber
a presença da moça pálida
que nos faz companhia às sextas-feiras
e cujo nome não ouso revelar.

A liberdade é uma carcereira terrível!

Fausto Wolff

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Elocubrando




Tava lendo um post do Spacca no qual ele fala, dentre outras coisas, sobre o politicamente correto nos quadrinhos, sim, o politicamente correto, essa praga. Mas enfim, fiquei tarando na expressão "politicamente correto". Pq será que a gente usa esta expressão pra se referir a normas de conduta se a política é o ambiente mais "incorreto" que existe? Na origem, o termo política diz respeito ao que está relacionado com a pólis, a cidade-Estado, então o politicamente correto é aquilo que por derivação se refere aos cidadãos, ou à normatização das atitudes relativas aos habitantes da pólis. Lamentável que na prática, aparentemente, o politicamente correto não se aplique aos governantes, esses compulsivos do "politicamente" incorreto...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sinto a culpa que eu não sei de que...



Paranóia
Raul Seixas
Composição: Raul Seixas

Quando esqueço a hora de dormir
E de repente chega o amanhecer
Sinto a culpa que eu não sei de que
Pergunto o que que eu fiz?
Meu coração não diz e eu...
Eu sinto medo!
Eu sinto medo!

Se eu vejo um papel qualquer no chão
Tremo, corro e apanho pra esconder
Com medo de ter sido uma anotação que eu fiz
Que não se possa ler
E eu gosto de escrever, mas...
Mas eu sinto medo!
Eu sinto medo!

Tinha tanto medo de sair da cama à noite pro banheiro
Medo de saber que não estava ali sozinho porque sempre...
Sempre... sempre...
Eu estava com Deus!
Eu estava com Deus!
Eu estava com Deus!
Eu tava sempre com Deus!

Minha mãe me disse há tempo atrás
Onde você for Deus vai atrás
Deus vê sempre tudo que cê faz
Mas eu não via Deus
Achava assombração, mas...
Mas eu tinha medo!
Eu tinha medo!

Vacilava sempre a ficar nu lá no chuveiro, com vergonha
Com vergonha de saber que tinha alguém ali comigo
Vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro
Vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro

Para...nóia

Dedico esta canção:
Para Nóia!
Com amor e com medo (com amor e com medo)
Com amor e com medo (com amor e com medo)
Com amor e com medo (com amor e com medo)
Com amor e com medo (com amor e com medo)...

Com amor e com medo...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Insone




Nos fundos da madrugada
não se cala o pensamento.
Fala, fala, fala, fala...
No meio fio chora o vento.

No devir da madrugada
o silêncio é uma reticência
entre a lápide e o firmamento.

O pensamento,
este não cala!
Fala, fala, fala, fala...

Laurene Veras

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fogo fato

abro parênteteses
precedentes
pernas
e te cravo os dentes
terna
sempiternamente.

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luminiscências de eros

vagalumes de perfume

boitatás de fogo-fato


as misteriosas luzes

que ascendem no ato


fugazes clarões pelo quarto.

Laurene Veras

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terça-feira, 8 de junho de 2010

O rei me disse que...



...amanhã, quarta, tem Apanhador Só no Beco. Eeeeeeeeeeeeeeeeh!
10 pila com nome na lista, vai lá meu filho, se mexe!
Clica aqui.
E mais uma vez obrigada ao Thomaz pela dica valiosa! :D

Os "tugas" na telona



Hj começa uma mostra de cinema português na sala PF Gastal. Copio e colo a programação aqui e nos vemos por lá, mas para mais e melhores informações deixa de ser forgado e entra direto no blog da PF Gastal, nhé! Clicando aqui.
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O Fantasma, de João Pedro Rodrigues (Portugal, 2000, 90 minutos)

Jovem gari mora numa pensão barata em Lisboa e passa as noites buscando sexo anônimo com homens. Numa de suas saídas, acaba encontrando um rapaz por quem se apaixona. Cada vez mais obcecado por seu objeto de desejo, passa a persegui-lo usando uma máscara de látex. Exibição em 35mm.

Odete, de João Pedro Rodrigues (Portugal, 2005, 101 minutos)

Mulher desenvolve obsessão por seu vizinho recentemente falecido (que ela jamais conheceu), dizendo-se grávida dele. Isto torna-se mais uma perturbação para o namorado do jovem morto, que já vive o drama de não conseguir superar a perda do companheiro. Exibição em 35mm

Morrer como um Homem, de João Pedro Rodrigues (Portugal/França, 2009, 133 minutos)

Uma velha travesti decadente e seu jovem namorado saem em viagem para o interior de Portugal. Após se perderem na estrada, acabam encontrando uma casa no meio de um bosque, onde vive a enigmática Maria Bakker e sua amiga Paula. Exibição em 35mm.

Coisa Ruim, de Tiago Guedes e Frederico Serra (Portugal, 2006, 97 minutos)

Uma família lisboeta vai viver numa aldeia no interior de Portugal, entrando em contato com os mitos e superstições locais. Raro exemplar do cinema fantástico português, bastante elogiado pela crítica. Exibição em DVD.

Vai e Vem, de João César Monteiro (Portugal/França, 2003, 179 minutos)

João Vu-Vu, um viúvo solitário, vive isolado em sua casa e tem como passatempo passeios diários de ônibus pelas ruas de Lisboa. Este cotidiano será alterado pela saída de seu único filho da prisão. Último filme do diretor João César Monteiro, que também interpreta o papel do protagonista. Exibição em DVD.

Casa de Lava, de Pedro Costa (Portugal/França/Alemanha, 1994, 110 minutos)

Uma enfermeira depressiva que vive em Lisboa acompanha um imigrante em coma a sua cidade natal, em Cabo Verde. O contato com a paisagem vulcânica da ilha e os habitantes locais irá provocar na personagem um profundo impacto existencial. Selecionado para a mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes. Exibição em DVD.

Ossos, de Pedro Costa (Portugal/França/Dinamarca, 1997, 94 minutos)

O cotidiano duro e dramático de um jovem casal e seu filho recém nascido em um bairro negro do subúrbio de Lisboa, o Estrela da África. Prêmio de melhor fotografia no Festival de Veneza. Exibição em DVD.

A Passagem da Noite, de Luís Filipe Rocha (Portugal, 2003, 95 minutos)

Mariana, uma jovem de 17 anos que vive na periferia de Lisboa, engravida após ser violentada por um viciado em drogas. Por medo, vergonha ou raiva decide encobrir o fato de todos (pais, namorado, amigos, polícia e tribunal) e enfrentar o fato sozinha. Exibição em DVD.

The Lovebirds, de Bruno de Almeida (Portugal/EUA, 2007, 80 minutos)

Seis histórias se cruzam na noite lisboeta, envolvendo temas como amor, solidão, amizade e esperança. Exibição em DVD.



GRADE DE HORÁRIOS
Semana de 8 a 13 de junho de 2010

Terça-feira (8 de junho)
17:00 – O Fantasma
19:00 – Coquetel de abertura da mostra, seguido de exibição Morrer como um Homem e debate com a presença do diretor João Pedro Rodrigues

Quarta-feira (9 de junho)
17:00 – Odete
19:00 – O Fantasma

Quinta-feira (10 de junho)
17:00 – O Fantasma
19:00 – Morrer como um Homem

Sexta-feira (11 de junho)
17:00 – Odete
19:00 – Morrer como um Homem

Sábado (12 de junho)
17:00 – Odete
19:00 – O Fantasma

Domingo (13 de junho)
17:00 – Odete
19:00 – Morrer como um Homem


Semana de 15 a 20 de junho


Terça-feira (15 de junho)
19:00 – Coisa Ruim

Quarta-feira (16 de junho)
17:00 – Casa de Lava
19:00 – Ossos

Quinta-feira (17 de junho)
17:00 – A Passagem da Noite
19:00 – Vai e Vem

Sexta-feira (18 de junho)
17:00 – The Lovebirds
19:00 – Coisa Ruim

Sábado (19 de junho)
17:00 – A Passagem da Noite
19:00 – Vai e Vem

Domingo (20 de junho)
19:00 – Ossos

sábado, 5 de junho de 2010

Muffu




Cartesiano!
Sobremaneira,
te amo.

Meus olhos
não bastam
para te olhar
tanto.
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