quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sepé quem?



‎"Como não foi casa de presidente". Essa é a mentalidade dos nossos administradores públicos, destruir o pouco que resta da memória do país pra que enfim sigamos votando nos mesmos cretinos.

Casarão histórico de São Luiz Gonzaga deve ser demolido após 95 anos
Para desagrado de pesquisadores, prefeitura de São Luiz Gonzaga autorizou demolição de sobrado
Silvana de Castro | silvana.castro@zerohora.com.br

Com 95 anos de existência e testemunha de fatos corriqueiros e curiosos de São Luiz Gonzaga, nas Missões, um casarão agoniza enquanto aguarda pela demolição. Em ruínas, o prédio deverá desaparecer nos próximos dias, o que causa desconforto entre pesquisadores.

Sem ter condições de recuperá-lo, o proprietário conseguiu autorização da prefeitura para destruir o casarão, que desde a década de 80 não é mais ocupado. Não há lei no município que garanta a preservação da estrutura. O fim do prédio toca em uma ferida da cidade, que não conservou os remanescentes da redução jesuítica-guarani que deu origem ao município.

O sobrado, que tem um porão e um primeiro piso elevado, feito de alvenaria, teve quatro donos. Foi casa de família, educandário feminino e, dizem na comunidade, até um cabaré. Também teria servido de ponto de encontro de contrabandistas, durante a II Guerra Mundial, quando se levava pneus do Brasil para a Argentina, comenta o professor e escritor Sérgio Venturini, pesquisador da história da região.

– Teria que ser decretado como patrimônio e ser recuperado. Está no sentido contrário da evolução. Em todas as cidades estão recuperando prédios antigos e nós, aqui, demolindo o que temos – opina Venturini.

Com base em levantamento que fez no prédio antes de autorizar a demolição, a prefeitura argumenta que o casarão não tem um valor histórico relevante. Além disso, conforme o secretário de Planejamento do município, Maurício Caíno, o estado de deterioração estaria colocando em risco a seguranças das pessoas que passam pelo local. O secretário estima que seria necessário R$ 1,5 milhão para a recuperação da estrutura.

– Já caiu todo o telhado, estão caindo as paredes. Como não foi casa de presidente, nem de alguém de muita expressão, fica difícil arrumar um patrocínio. A gente perdeu o tempo de restaurar. Há uns 10 anos seria o ponto ideal – diz Caíno.
ZERO HORA

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