domingo, 24 de abril de 2011

Walter Pax


WALTER PAX, um amigo e um dos melhores desenhistas que eu conheço, teve uma crise severa de asma e tá se fresqueando pra deixar a UTI. Depois de dias de aflição, Bárbara, mulher dele, que por sinal faz jus ao nome, contou que ontem ele deu uma melhorada. Era dia de São Jorge. Fiz uma tirinha e um poema, só pq quero mt que ele fique bom logo. Só pq ele é um cara querido pra caralho e não tem a menor graça ele ficar trancado lá enquanto a gente tá aqui fora, curtindo esses belos dias de outono.
Pra conhecer alguma coisa do talento do cara clica aqui.
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Para Walter Pax Rodrigues

Gritar
com pulmões imensos:
- Como é bom estar vivo!
-Como é bom estar vivo!
-Como é bom estar vivo!

Eu, Capitão Rodrigo.

Laurene Veras

sábado, 16 de abril de 2011

incandescência

chove

uma névoa azulada
quer ser asa

mas sobe
um espiral
em brasa

ventos
e vapores
de mágoa

Laurene Veras

quarta-feira, 13 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Death and Life


Colhe a tua rosa, enquanto podes  
Gather ye rosebuds while ye may ─ Robert Herrick (1591 – 1674 )
Colhe a tua rosa, enquanto podes. 
O velho tempo ainda corre. 
Compõe canções, sonetos, odes, 
Compõe a vida que não morre.   
Faz da existência um infinit
Poema humano, belo e puro! 
Põe tua alma nesse grito escrito 
Porque há de o corpo entrar no escuro!   
Escreve... enquanto inda há alegria! 
Pois, pouco a pouco, tua beleza 
Se entregará à melancolia, 
Essa irmã gêmea da tristeza.   
Transforma o tempo deprimido 
Com tua beleza! Vai! Declama!
 Pois, logo, logo, apodrecido, 
Adubarás somente a grama!
 
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Mais um Klimt: "Death and Life"

domingo, 10 de abril de 2011

Protesto contra a libertação de Ricardo Neis




do Largo Zumbi dos Palmares (EPATUR) até o Palácio da Justiça
Travessa do Carmo até Praça Marechal Deodoro, 55
Porto Alegre, Brazil
Concentração das 18h às 19h. Início da marcha às 19h.
Venha a pé (ou de bici, skate, patinete, pogobol, cadeira de rodas ou patins) manifestar a nossa indignação com a decisão da justiça de deixar Ricardo Neis responder pelos seus crimes em liberdade, pondo assim mais pessoas em risco ao deixar uma pessoa tão perigosa solta pela cidade.

Tragam cartazes, faixas, canções e muita energia positiva para marcharmos até o palácio da justiça e mostrarmos que é só com coisas boas que conseguimos superar as coisas ruins.

*Não é uma manifestação de ciclistas sobre as bicicletas mas uma manifestação por justiça.
Fonte: Facebook : http://www.facebook.com/home.php#!/event.php?eid=106523686099027

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ado ado ado cada um no seu quadrado!

Este desenho eu fiz para estas pessoas que pensam serem o fim último do Big Bang. Que o diga o excelentíssimo senhor Bolsonaro.
Tenho dito.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Casa é um lugar que se encontra

 Reproduzo abaixo o que o amigo Kady partilhou no facebook. Para ver na fonte, clica aqui.

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Fazer poesia – e outros projectos..., entrevista a Ondjaki

A propósito do lançamento de livros em Luanda, na Associação Chá de Caxinde, no dia 23 de Março, em Luanda

Como é estar de regresso à poesia?
É uma satisfação. Faz-se poesia porque se precisa dela, ou de a partilhar. Mas sobretudo fazer poesia é uma necessidade. Nem sempre é fácil publicar um livro de poesia…
Porquê?
Porque se pensamos no público, no leitor… Quer dizer, é um género mais complicado, menos acessível, menos fácil. Escreve-se um poema como uma urgência interna, e por vezes há uma estória (mais íntima) por detrás do poema. Mas é preciso aceitar que a poesia é também mistério… Nem tudo é claro, explícito. Faz parte. O que quero dizer é que não sei bem como o leitor vai encarar o que lá está escrito, o que foi dito. Mas de qualquer modo, eu sei, este receio não faz sentido nenhum, cada leitor recebe os materiais de escrita do seu modo e assim funciona a literatura. Escrevo primeiro para mim, sobretudo no caso da poesia, mas tenho receio que os meus poemas por vezes sejam um pouco herméticos ou mesmo chatos…
E a escrita em geral, como vai?
A escrita em geral são os dias. Penso que muitas vezes a luta é essa, ir decidindo que caminhos escolher, prosa, poesia, também os livros infantis. Mas vivendo, observando, estamos sempre a escrever.
Continua com o trabalho dos livros infantis?
Sim, agora mesmo em Luanda apresentámos o livro O leão e o coelho saltitão, que foi uma experiência muito boa, fiz uma adaptação de um conto Luvale, que nem era para crianças. Adaptei o conto, inventei algumas partes, incluí músicas que também inventei, acho que me diverti. E continuo a pensar que é muito importante neste momento, em Angola, trabalharmos este género. reconstruir o país também passa pelo trabalho da nossa literatura.
Reconstruir o país pelos livros, pela cultura…
Claro. Cada um tentando contribuir como pode. Está muita coisa a ser feita, mas é preciso também, além das estradas e pontes, trabalhar com a cultura, com os livros, com os hábitos de leitura.
E falta muito?
Falta sempre muito, num país em reconstrução. Trata-se de uma tarefa gigantesca, que passará pelos esforços da população e do governo também. É preciso retrabalhar as ideias, os ideais, os valores. Retrabalhar constantemente a democracia, habituarmo-nos a expressar a nossa opinião e que os nossos dirigentes nos possam escutar, e não simplesmente fingir que escutam.
fotografia de Michael Hughesfotografia de Michael Hughes

Está trabalhando em outros projectos?
Como digo, estamos sempre a escrever. Terminei a adaptação de um “libretto”, para uma ópera juvenil, que vai ser feita em Portugal, isto é, é uma ópera baseada num conto tibetano. Já estou a trabalhar num novo livro infantil e num novo romance.
O que falta fazer?
Filmes, séries. Queria colaborar com a televisão em novos seriados ou filmes. Há projectos em curso, com a Geração 80, com o Mário Bastos e outros interessados em fazer coisas novas e de qualidade.  Há muitas ideias e projectos, mas há pouco dinheiro!
E documentários?
Estou já a trabalhar num novo projecto. Vai ser algo muito interessante, tem a ver obviamente com Angola, com a música e com Luanda. Estamos na fase da dita ‘captação de cumbú’, mas não é fácil.
Vai continuar escrevendo poesia?
Vou continuar a escrever aquilo que fizer sentido para mim: novas ideias, novas abordagens, ainda quero publicar a minha peça de teatro Os vivos, o morto e o peixe-frito… Falta fazer muita coisa, mas estamos prontos. Tenho estado envolvido num trabalho com o Rui Sérgio Afonso (fotógrafo) e cada vez estou mais convencido que esta geração tem muito a dar. Já se vê pela música, pela fotografia e dança, muita coisa nos livros, e falta trabalharmos e desenvolvermos o nosso cinema, de modo criativo, interessante, e nacional, isto é, tratarmos os materiais nossos de um modo moderno, africano mesmo “prá frentéx”! Isso é que vai ser uma festa. E acredito que vai acontecer… Já está a acontecer.

por Paulinho Assunção
Cara a cara | 27 Março 2011 |