sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O último vôo

Um pássaro morreu hoje. Pássaros morrem todos os dias, assim como pessoas, plantas, sonhos, peixes...
Um pássaro se chocou contra o vidro da minha janela. Olhei para baixo e ele agonizava com as asas abertas. Desci correndo as escadas na esperança de salvá-lo mas quando cheguei ele encolhera as asas e estava morto. Seus olhos abertos ainda não tinham adquirido a opacidade da ausência de vida. O corpinho leve ainda estava quente. Quebrara o pescoço, imaginei.
Um pássaro morreu hoje e minhas mãos ou minha vontade nada puderam para reanimá-lo. As penas azuis se recolheram e o deixei repousar em um canteiro fresco, longe do sol, longe da vida, longe do céu.
Um pássaro morreu e eu morri um pouquinho também.