quarta-feira, 8 de agosto de 2012

poema para uma noite de agosto




Para Raquel Pianta

sobretudo a insensatez
e a neblina

e ainda mais
a embriaguez
as linhas não retas
as sentenças incertas

entretanto o nada

as tabernas fechadas
e a fachada
daquelas
pernas cruzadas

Laurene Veras

Farol




e quando tu dormes
o movimento do mundo
despenca na treva
da ausência da tua pele
veludo
de onde emana um brilho
fosco e insistente
feito de ventura
e de idílio

Laurene Veras
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Foto: Mauren, por Dani Fetz.

Fernandos e Portugais




Conselho aos críticos do novo século

“Se queres parecer inteligente,
desdenha de quem escreve coisas simples
e desconfia, desconfia sempre
dos sentimentos, das convicções.

Diz mal da tua época,
procura dar a tudo um ar difícil
e cita alguns autores que ninguém leu.

Se queres que te respeitem,
reserva a admiração e o elogio
pra certos mortos bem escolhidos,
de preferência estrangeiros
e acima de tudo
não caias nunca na vulgaridade
de ser compreendido pelos que te lerem.”

Fernando Pinto do Amaral

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Chica da Silva


a branca é chocha e não tem o teu bodum
oh Chica!
a tua bunda as sete saias enfuna
qual duas morangas inchadas de chuva.
esconde a noite a tua pele
mas acho-te pelo cheiro oh Chica
ou pl'os dentes quando ris
que mais faíscam que as faíscas mais todas
do rio

Milton Torres
No fim das terras

desenho meu.
em que se meça
a flecha
da palavra
há tantas braças de mágoa
que se perdem os possíveis
significados
no abismo da garganta