terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Cascos, carícias & outras crônicas



Depois do livro de entrevistas da Hilda Hilst, o belíssimo Fico besta quando me entendem, estou lendo a coletânea de crônicas que ela publicou no Correio Popular de Campinas entre 1992 e 1995. Algumas são de um humor raro e contundente, muitas são pessimistas, e quase todas extremamente irônicas e descaradamente debochadas. 
Então aí vai um trechinho que me é particularmente querido.
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Essa modesta articulista que sou eu escreveu textos e poemas belíssimose compreensíveis, e tão poucos leram ou compraram meus livros...Mas agora com essas crônicas...que diferença! Como telefonam indignados para o por isso eufórico editor deste caderno, dizendo que sou nojenta! Obrigada, leitor; por me fazer sentir mais viva e ainda por cima nojenta! Isso é tão mais, tão mais do que nada! Como disse Schücking: "Os artistas são sensíveis e vivem, como os deuses, do incenso. Sem incenso não há deuses. A estima dá asas a seus talentos". Permitam-me terminar com uma parábola-pergunta: por que os dentes caem quando estamos velhos, mas ainda vivos, e permanecem eternos nas nossas límpidas e luzidias caveiras? 

segunda-feira, 21 de dezembro de 1992
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HILST, Hilda. Cascos, carícias e outras crônicas. São Paulo: Globo, 2006.

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