quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

eu sou o verso

meus poemas não falam de amor
não falam
de primaveras

meus poemas não falam
deveras
de azuis, de céus, ou de sóis

não falam de saudade
nem de pele
muito menos
de incômodas reticências

(não gosto de reticências)

meu poema
é um grito agudo
de desespero
diante
da tua ausência

meus poemas não falam da lua
não dizem nada sobre o ser
e a existência
meus poemas não querem saber
da essência
nem da métrica
ou de azuis, de céus, ou de sóis

meu poema sou eu
presa e machucada
peixe numa emboscada
sufocando entre mil anzóis




quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


quero só a noite
as vontades veladas
o frescor da brisa
o sexo revelado
à meia luz

a ausência de ruído
a não necessidade de se estar vestido
a solidão da penumbra

o poder de ser
sem máscaras
sem salamalaques

dormir com o cabelo molhado
fumar na sacada

quero minhas flores
que a chuva molhou
quero a íntima imensidão
de ser quem eu sou


Laurene Veras