quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Mushi-Shi


Num Japão sem tempo Ginko é um Mushi-Shi, uma espécie de sacerdote andarilho que visita comunidades que dependem da natureza para sobreviver. Pausa. Volta tudo. Todos os seres humanos dependem da natureza, mas Ginko visita aqueles cujas atividades de subsistência são indissociáveis das forças naturais, e é aí que entram os Mushis. Os Mushis são formas de vida primitivas sem consciência humana, mas influenciam a vida das pessoas das mais diversas formas. Algumas são benéficas, outras parasitárias. É como se fossem seres elementais, só que numa concepção bem japonesa da coisa, ou seja, são um tipo de espírito da natureza. Raras pessoas conseguem enxergar ou mesmo interagir com os Mushis e o papel de Ginko é fazer com que a relação dos humanos com aqueles não seja invasiva ou maléfica para nenhuma das duas criaturas. Mushi-Shi é baseado em um mangá de mesmo nome e se distingue da maior parte dos animes que ganham os corações e mentes do público ocidental por se utilizar de cenários, cores e gestos extremamente realistas. Alguns quadros parecem fotografias. O que mais impressiona é a sensibilidade e delicadeza com que o roteiro transforma em pura magia sentimentos e comportamentos tipicamente humanos, como a depressão, a obssessão, a frivolidade, o amor, a rejeição, etc. A música é minimalista e absolutamente necessária. A sonoplastia quase nos faz pular da esfera da fantasia para a realidade sem nos arrancar de dentro das fantásticas histórias.
Sempre com uma "mochila" de madeira às costas e um cigarro de Mushi-Shi no canto da boca, Ginko é um contador de histórias curtas mas ancestrais, pois algumas "possessões" por Mushis chegam a séculos de permanência.
Quer detalhes técnicos? Procura no google, criança. Não sou especialista em cultura japonesa, infelizmente, e esse blog nem é para isso. Esse blog é sobre o Belo.
Muito obrigada ao querido Augusto Menna Barreto pela dica indispensável.
Disponível no Netflix.






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